segunda-feira, 31 de maio de 2010

Ciência Versus Misticismo em Lost



ATENÇÃO: SPOILERS! LEIA ESTE TEXTO APENAS SE JÁ VIU O FINAL DE LOST.

Para os que estão reclamando que Lost abandonou o lado científico para abraçar apenas o lado místico no final, eu digo que a série nunca chegou a abandonar nenhum dos dois lados.

O final foi bastante claro ao revelar que os flashsideways eram flashes de uma vida após a morte dos personagens, e é claro que, quando se fala em vida após a morte, a primeira coisa em que pensamos é em misticismo e religião. Mas de maneira nenhuma o fato dos personagens serem vistos numa vida após a morte exclui a possibilidade de uma interpretação científica de tudo que aconteceu.

Achei muito interessante a maneira como essa vida após a morte foi mostrada, pois houve uma tentativa de abordar isso de um ponto de vista que remetesse ao mesmo tempo a várias religiões e a nenhuma. Na própria igreja vimos símbolos de diversas religiões.

Vimos que nos flashsideways os personagens estavam numa vida após a morte, mas como exatamente eles chegaram a isso é mais uma das questões deixadas em aberto. E esse é justamente o maior charme da série... Ser aberta a várias interpretações. Podemos interpretar isso do ponto de vista cristão, por exemplo, com os personagens indo para o céu, mas também podemos interpretar do ponto de vista espírita, com eles se encaminhando para uma reencarnação.

E, da mesma maneira, podemos interpretar isso do ponto de vista da física quântica se considerarmos que aquela realidade alternativa era de fato algum tipo de universo paralelo para onde a consciência de cada personagem se transportou após a morte. De que maneira esse universo paralelo teria surgido e como as consciências dos personagens mortos teriam se transportado para lá é um mistério. Mas sem dúvida é uma possibilidade.

Afinal, o próprio Desmond, antes mesmo de morrer, já havia tido sua consciência transportada temporariamente para aquele mundo ao ser atingido pela descarga de eletromagnetismo por obra de Widmore. O que teria sido aquilo? Uma visão do mundo dos espíritos, como as que as pessoas dizem ter ao passar por experiências de quase morte? Ou algo mais ligado à ciência, como o que aconteceu quando a consciência de Desmond foi transportada para o passado em temporadas anteriores? Ambas as hipóteses são possíveis.

A própria natureza da ilha pode ser encarada como algo místico, ligado a uma suposta luz mágica, se levarmos em conta o ponto de vista da antiga protetora que passou seu cargo para Jacob, ou como algo científico, ligado ao eletromagnetismo, se levarmos em conta a tentativa de explicação dos poderes da ilha pela Iniciativa Dharma. Há quem diga que a existência da Iniciativa Dharma na série foi algo totalmente descartável, mas, se prestarmos atenção, vemos que serviu perfeitamente para mostrar que tudo poderia ser explicado tanto pelo ponto de vista místico quanto científico. A tal luz mágica pode ser vista perfeitamente como algo natural, que a ciência apenas não conseguiu explicar ainda.

É evidente que a série não poderia explicar exatamente como funcionam os poderes da ilha com base em teorias científicas do mundo real, não apenas porque isso tiraria o caráter dúbio da trama, descartando o lado místico, mas também porque não se trata de um documentário científico, e sim de uma ficção científica. Uma ficção científica que, habilmente, esteve o tempo todo entrelaçada com a fantasia. Pois se gente como o pessoal da Iniciativa Dharma, nos dias atuais, tenta explicar tudo pela ciência, gente como a antiga protetora da ilha, num passado remoto, só podia explicar as coisas pela magia.

O tempo todo os acontecimentos em Lost foram abertos tanto a interpretações científicas quanto místicas, e o final não foi diferente.



quarta-feira, 31 de março de 2010

Os Monstros Clássicos da Universal




Aproveitando que a refilmagem do clássico O Lobisomem ainda está em cartaz, resolvi fazer um post abordando os monstros clássicos da Universal. Será o primeiro de uma série de posts sobre monstros do cinema.

A história do cinema de horror tem início já nos primórdios da sétima arte com algumas experiências do francês Georges Méliès, pioneiro dos efeitos especiais. Seu curta Le Manoir du Diable (1896) é considerado o primeiro filme de terror, enquanto seu Le Chaudron Infernal (1903) pode ser considerado o primeiro filme de terror colorido (numa técnica que consistia em pintar à mão imagem por imagem), décadas antes do cinema em cores se tornar comum. Thomas Edison, por sua vez, produziu a primeira adaptação de Frankenstein (1910), com Charles Ogle no papel do Monstro. Na Alemanha, o diretor Paul Wegener logo faria duas importantes incursões no gênero horror, O Estudante de Praga (Der Student Von Prag, 1913, refilmado em 1926 pelo mesmo diretor) e O Golem (Der Golem, 1915), mas o gênero só tomou forma, de fato, com o cinema expressionista alemão, inaugurado com O Gabinete do Dr. Caligari (Das Kabinett des Doktor Caligari, Robert Wiene, 1919), tão influente que muitas vezes chega a ser creditado como o primeiro filme de terror legítimo.

É nessa atmosfera que os estúdios Universal começam a se especializar nos filmes de terror, começando pelas célebres versões de O Corcunda de Notre Dame (The Hunchback of Notre Dame, Wallace Worsley , 1923) e O Fantasma da Ópera (The Phantom of the Opera, Rupert Julian, 1925) estreladas por Lon Chaney. Conhecido como O Homem das Mil Faces por sua habilidade de se transformar através da maquiagem, Lon Chaney se torna a primeira lenda do cinema de horror, atuando inclusive no primeiro longa-metragem norte-americano sobre vampirismo, London After Midnight (que, dirigido por Tod Browning para a MGM em 1927, se tornaria também o mais famoso filme desaparecido da história do cinema). Ele e o diretor são escolhidos pela Universal para a primeira adaptação oficial de Drácula, mas, com a morte precoce do ator por câncer na garganta, o húngaro Bela Lugosi, que já havia interpretado o papel título no teatro, é chamado para substituí-lo. É quando tem início a era de ouro dos filmes de terror da Universal.

Muita gente não sabe, mas a onda de fazer várias continuações de filmes de terror de sucesso e até juntar monstros de séries diferentes num mesmo filme não começa com Jason e Freddy. Começa bem antes, com os monstros clássicos da Universal. São sete os monstros mais importantes:

1. Drácula: O primeiro filme de terror falado, Drácula (Dracula, 1931), é fortemente influenciado não apenas pela adaptação teatral da obra de Bram Stoker (lançada na Inglaterra em 1924 por Hamilton Deane e revisada por John L. Balderston em 1927 para a Broadway), mas também pelo filme expressionista Nosferatu - Uma Sinfonia do Horror (Nosferatu - Eine Symphonie des Grauens, F. W. Murnau, 1922, uma adaptação não-oficial do mesmo livro). É rodado simultaneamente com uma versão espanhola do filme (Dracula - Spanish Version), dirigida por George Melford com Carlos Villar imitando a performance de Bela Lugosi, pois no início do cinema falado é comum os estúdios produzirem, para exportação, versões em línguas estrangeiras de seus filmes, usando os mesmos cenários e até figurinos. Rodada durante a noite enquanto a versão de Tod Browning é rodada de dia, a versão espanhola acaba tendo alguns minutos a mais, sendo hoje considerada até melhor do que a outra, pois, observando as filmagens diurnas, sua equipe consegue melhorar certos detalhes como iluminação e ângulos. Em 1936, Drácula recebe uma continuação, A Filha de Drácula (Dracula's Daughter), que a princípio seria dirigida pelo genial James Whale, mas acaba sendo entregue a Lambert Hillyer por que o tom surrealista que o outro diretor pretendia dar à história não agrada ao estúdio. A trilogia é encerrada em 1943 com O Filho de Drácula (Son of Dracula), dirigido por Robert Siodmak com Lon Chaney Jr. (o filho de Lon Chaney) no papel título.

2 e 3. O Monstro de Frankenstein e A Noiva de Frankenstein: Com o sucesso de Drácula, o produtor Carl Laemmle Jr. lança, no mesmo ano, uma adaptação do obra de Mary Shelley. Dirigido por James Whale (que substituiu Robert Florey), Frankenstein traz Colin Clive no papel do cientista louco e Boris Karloff como o Monstro, que originalmente teria sido interpretado por Bela Lugosi com uma maquiagem muito semelhante à da criatura apresentada no expressionista O Golem - Como Ele Veio ao Mundo (Der Golem - Wie Er In Die Welt Kam, 1920, uma prequel do filme rodado em 1915 pelo mesmo diretor, Paul Wegener). Ao mudar a aparência do Monstro, o maquiador Jack Pierce termina por criar a mais célebre maquiagem da história do cinema de horror. Em 1935, o mesmo diretor e elenco principal retornam em A Noiva de Frankenstein (Bride of Frankenstein), hoje considerado o melhor de todos os filmes de terror da Universal. Elsa Lanchester interpreta a personagem título, que, embora tenha se tornado muito conhecida, aparece oficialmente apenas neste filme, e Ernest Thesiger vive o Dr. Septimus Pretorius, formando com Colin Clive a dupla de cientistas loucos que seria parodiada muitos anos depois na comédia adolescente Mulher Nota Mil (Weird Science, John Hughes, 1985). Em 1939 é lançado O Filho de Frankenstein (Son of Frankenstein), dirigido por Rowland V. Lee com Basil Rathbone interpretando um novo cientista louco, o Barão Wolf von Frankenstein, herdeiro da vila de seu pai, Dr. Henry Frankenstein. A série termina com O Fantasma de Frankenstein (Ghost of Frankenstein, Erle C. Kenton, 1942), em que Lon Chaney Jr. substitui Boris Karloff como o Monstro e Cedric Hardwicke interpreta outro cientista louco, Dr. Ludwig Frankenstein, o segundo filho do Dr. Henry Frankenstein. Desta vez vivido também por Cedric Hardwicke, o pai de Ludwig aparece no filme como um fantasma lhe dando um conselho, o que justifica o título. Nestas duas últimas continuações aparece ainda o célebre personagem Ygor (interpretado pelo já lendário Bela Lugosi), que em paródias como O Jovem Frankenstein (Young Frankenstein, Mel Brooks, 1974) é sempre citado como o ajudante corcunda do cientista louco, embora não possua de fato uma corcunda, mas sim um pescoço quebrado. O ajudante corcunda do Dr. Henry Frankenstein na verdade é Fritz, interpretado no primeiro filme da série por Dwight Frye, que, vindo de um papel semelhante em Drácula, também aparece em A Noiva de Frankenstein como Karl, um dos ajudantes do Dr. Septimus Pretorius. Embora seja sempre citado (quase sempre com o nome de Ygor ou Igor), o corcunda Fritz não é um personagem original do livro, e sim de uma adaptação teatral inglesa de 1823, Presumption or the Fate of Frankenstein, de Richard Brinsley Peake.

4. A Múmia: Dirigido por Karl Freund em 1932 com o já lendário Boris Karloff no papel título, A Múmia (The Mummy) conta a história da ressurreição acidental do sacerdote egício Imhotep por obra de um grupo de arqueólogos. A Múmia passa então a procurar pela reencarnação de sua antiga amante, a princesa Ankh-es-en-amon. O roteiro é uma criação original de John L. Balderston, que, sob encomenda do produtor Carl Laemmle Jr., se inspira na abertura da tumba de Tutankhamun em 1922 e na maldição dos faraós para dar origem a um novo monstro do estúdio, tarefa em que novamente é inestimável a contribuição do maquiador Jack Pierce. Em vez de ser continuada, entretanto, a história é praticamente refilmada no exemplar seguinte da série, A Mão da Múmia (Mummy's Hand, Christy Cabanne, 1940). Desta vez uma nova Múmia, Kharis, é interpretada por Tom Tyler. O novo ator, por sua vez, é substituído também por Lon Chaney Jr. (que já estava começando a se especializar em substituir outros atores em continuações de filmes célebres de terror) nas sequências A Tumba da Múmia (Mummy's Tomb, Harold Young, 1942), O Fantasma da Múmia (Mummy's Ghost, Reginald Le Borg, 1943) e A Praga da Múmia (Mummy's Curse, Leslie Goodwins, 1944). Uma curiosidade sobre esta série é que A Mão da Múmia é ambientado no ano em que o filme foi feito, mas, entre cada um dos filmes seguintes, se passam respectivamente trinta, cinco e vinte anos, de modo que, fazendo as contas, vemos que a história terminaria por volta do ano 2000!

5. O Homem Invisível: Baseado na obra de H. G. Wells, O Homem Invisível (The Invisible Man, James Whale, 1933) traz Claude Rains no papel de mais um célebre cientista louco, o Dr. Jack Griffin. Dá origem a uma série de filmes muito mais inventiva e variada do que as séries dos outros monstros, pois cada novo filme pertence a um gênero diferente do anterior. A Volta do Homem Invisível (The Invisible Man Returns, Joe May, 1940), também conhecido como O Retorno do Homem Invisível, é o único que continua a história do primeiro sendo também um filme de terror, com um ator que mais tarde se tornaria outra lenda do gênero, Vincent Price, interpretando um novo Homem Invisível, levado a essa condição por obra do irmão do Dr. Jack Griffin. Ainda em 1940 é lançada a comédia A Mulher Invisível (The Invisible Woman, A. Edward Sutherland), cujo enredo não tem ligação com o resto da série exceto pelo tema da invisibilidade, com Virginia Bruce no papel título. Em seguida é lançado o filme de espionagem O Agente Invisível (Invisible Agent, Edwin L. Marin, 1942), também conhecido como O Agente Invisível Contra a Gestapo ou O Homem Invisível Contra a Gestapo, que retoma a história do primeiro filme pelo fato do personagem título, vivido por Jon Hall, ser neto do Dr. Jack Griffin. Por último vem A Vingança do Homem Invisível (The Invisible Man's Revenge, Ford Beebe, 1944), que retorna ao gênero horror trazendo novamente Jon Hall como Homem Invisível mas, desta vez, com John Carradine como um novo cientista louco.

6. O Lobisomem: A série de filmes de lobisomem da Universal começa com O Lobisomem de Londres (Werewolf of London, Stuart Walker, 1935), com Henry Hull no papel título, mas o filme não chega a fazer sucesso. O verdadeiro marco é O Lobisomem (The Wolf Man, George Waggner, de 1941), que, com roteiro original de Curt Siodmak, faz de Lon Chaney Jr. uma lenda como seu pai, no papel do trágico Larry Talbot, um bom homem marcado pela maldição de ser um lobisomem. Sempre interpretado pelo mesmo ator, o personagem retorna em Frankenstein Encontra o Lobisomem (Frankenstein Meets the Wolf Man, 1943), que ao mesmo tempo continua a história de O Fantasma de Frankenstein, dando início à era dos encontros entre monstros da Universal. Lon Chaney Jr. chega a ser cogitado para interpretar no mesmo filme o Lobisomem e o Monstro de Frankenstein, pois ambos os papéis haviam sido dele nos filmes anteriores, mas ele se recusa a fazer papel duplo e é Bela Lugosi quem vive o Monstro desta vez. Ambos os personagens se reencontram em A Casa de Frankenstein (House of Frankenstein, Erle C. Kenton, 1944), desta vez com Glenn Strange assumindo o papel do Monstro. Curiosamente, Boris Karloff, que havia ficado famoso por sua interpretação do Monstro, desta vez vive um cientista louco, enquanto John Carradine aparece como Drácula, numa história sem qualquer ligação com nenhum dos filmes anteriores. Com exceção de Boris Karloff, os atores logo retornam aos personagens em A Casa de Drácula (House of Dracula, Erle C. Kenton, 1945), sequência direta do filme anterior. É o último filme sério em que esses personagens são retratados pela Universal nesta fase. Mas, antes que a fase se encerre, o estúdio ainda produz A Mulher-Lobo de Londres (She-Wolf of London, Jean Yarbrough, 1946), com June Lockhart no papel título, numa história de lobisomem que, apesar do nome, não tem ligação com O Lobisomem de Londres nem com qualquer dos outros filmes da série.

7. O Monstro da Lagoa Negra: Em 1954, quase dez anos após os outros monstros clássicos da Universal terem se tornado ultrapassados, o estúdio consegue emplacar um novo monstro, o Gill-man, uma criatura anfíbia, espécie de elo perdido entre seres marinhos e terrestres, encontrado na Amazônia durante uma expedição de geólogos no filme O Monstro da Lagoa Negra (Creature from the Black Lagoon, Jack Arnold, 1954), baseado num roteiro original de Maurice Zimm, Harry Essex e Arthur A. Ross. É a era do horror atômico no cinema, uma era em que os maiores medos da humanidade estão ligados à guerra fria e à ameaça de uma catástrofe nuclear. Os monstros que mais assustam o público, então, são extraterrestres e mutantes, e a história do Gill-man, de fundo ecológico, atinge em cheio esse público. O mesmo diretor realiza a sequência A Revanche do Monstro (Revenge of the Creature, 1955), e o diretor John Sherwood encerra a trilogia com O Monstro Caminha Entre Nós (The Creature Walks Among Us, 1956). Os dois primeiros filmes são lançados originalmente em 3D, um recurso que se torna popular na época, num esforço para trazer de volta ao cinema as platéias que já preferem ver filmes na TV. Ricou Browning interpreta o Monstro da Lagoa Negra nas cenas aquáticas dos três filmes, enquanto nas cenas terrestres a criatura é vivida primeiro por Ben Chapman, depois por Tom Hennesy e, finalmente, por Don Megowan.

Dos filmes pertencentes ao ciclo conhecido como Universal Horror, todos os citados acima estrelados pelos sete monstros mais importantes do estúdio são reunidos em 1999, juntamente com a primeira versão falada de O Fantasma da Ópera (The Phantom of the Opera, Arthur Lubin, 1943), numa série de DVDs denominada Classic Monster Collection (relançada em 2004 sob o título Legacy Collection). Destes, todos são lançados também no Brasil em 2004, em boxes especiais, com exceção dos filmes da Múmia, do Homem Invisível e do Monstro da Lagoa Negra, cujas continuações permanecem inéditas em DVD no país. A versão de O Fantasma da Ópera incluída na coleção destoa dos demais não apenas por não ter a mesma importância (a versão de 1925, cujo cenário é inclusive aproveitado nas filmagens desta, seria mais adequada), mas também por ser o único filme colorido do grupo. Estrelada por Claude Rains, esta adaptação do romance de Gaston Leroux une o gênero horror ao musical, sendo precursora da famosa peça da Broadway lançada em 1986 por Andrew Lloyd Webber, que mais tarde origina o musical cinematográfico O Fantasma da Ópera (The Phantom of the Opera, Joel Schumacher, 2004), da Warner.

Mas os monstros mais importantes da Universal não encerram suas aparições cinematográficas aí. Em 1948, Drácula, o Monstro de Frankenstein e o Lobisomem, vividos respectivamete por Bela Lugosi, Glenn Strange e Lon Chaney Jr., são reunidos em Abbott e Costello Encontram Frankenstein (Abbott and Costello Meet Frankenstein, Charles Barton, 1948), a primeira de uma série de paródias produzidas pelo estúdio, onde os comediantes Bud Abbott e Lou Costello enfrentam monstros famosos. O mesmo diretor continua a série com Abbott e Costello Frente a Frente com Assassinos (Abbott and Costello Meet the Killer, Boris Karloff, 1949), em que a presença de Boris Karloff no papel de um assassino é destacada já no título original, e Charles Lamont assume a direção nos filmes seguintes. Já em Abott e Costello Encontram o Homem Invisível (Abbott and Costello Meet the Invisible Man, 1951), Arthur Franz vive um assaltante que ganha invisibilidade. Em Abott e Costello Encontram Dr.Jekyll e Mr.Hyde (Abbott and Costello Meet Dr. Jekyll and Mr. Hyde, 1953), Boris Karloff retorna à série como o célebre vilão do título. E, finalmente, Abbott e Costello Enfrentam a Múmia (Abbott e Costello Meet the Mummy, 1955), também conhecido como Abbott e Costello Caçando Múmia no Egito, torna-se a última das 28 comédias da dupla produzidas pela Universal, trazendo Eddie Parker como a Múmia, aqui denominada Klaris.

Embora esses monstros já tivessem se tornado motivo de piada, o sucesso de O Monstro da Lagoa Negra nos anos 50 inicia um revival do chamado Universal Horror, com o relançamento de todos os principais filmes do ciclo nos cinemas e, logo, uma avalanche de produtos relacionados, incluindo brinquedos e a revista Famous Monsters of Filmland, a primeira publicação dedicada a filmes de terror.

Mas esse revival pelas mãos da Universal não dura muito. De 1957 até meados dos anos 70, a produtora que verdadeiramente reina nesse gênero é a inglesa Hammer, que faz sua própria versão dos principais monstros da Universal, com uma vantagem: os filmes passam a ser sempre coloridos, com sangue bem vermelho! É quando atores como Christopher Lee e Peter Cushing entram para a galeria de lendas do gênero interpretando os famosos monstros e seus antagonistas. Entre os principais filmes estão A Maldição de Frankenstein (The Curse of Frankenstein, 1957) e Horror de Drácula (Horror of Dracula, 1958), ambos dirigidos por Terence Fisher com Christopher Lee vivendo os personagens título. A princípio, a Universal até ameaça processar a Hammer caso a maquiagem do Monstro de Frankenstein em seus filmes lembre aquela criada por Jack Pierce, mas logo muitos dos filmes produzidos pela Hammer passam a ser distribuídos nos EUA pela própria Universal.

Apenas em 1979 a Universal volta a trabalhar diretamente com seus monstros mais célebres, produzindo uma refilmagem de Drácula dirigida por John Badham, com Frank Langella no papel do vampiro. Mas o filme não faz sucesso. Em 1987, os monstros da Universal são belamente homenageados na paródia juvenil Deu a Louca nos Monstros (The Monster Squad), dirigida por Fred Dekker para a Columbia TriStar, mas também não chega a ser um revival. O próximo revival dos monstros ocorre somente nos anos 90, não pela Universal, mas, sim, pela Columbia TriStar, quando Francis Ford Coppola dirige Drácula de Bram Stoker (Bram Stoker's Dracula, 1992), com Gary Oldman como o vampiro, e produz Frankenstein de Mary Shelley (Mary Shelley's Frankenstein, Kenneth Branagh, 1994), com Robert De Niro como a criatura. A proposta de ambos os filmes é serem adaptações fiéis aos livros, ao contrário das versões produzidas pela Universal. Para completar o revival, a Columbia TriStar ainda produz um filme de lobisomem, Lobo (Wolf, Mike Nichols, 1994), com Jack Nicholson no papel.

Finalmente, em 1999 Stephen Sommers dirige para a Universal a refilmagem A Múmia (The Mummy), com Arnold Vosloo no papel da múmia Imhotep e Brendan Fraser como o herói, dando uma visão totalmente nova ao clássico de terror, cujo enredo se torna a base para uma aventura no estilo Indiana Jones. O mesmo diretor realiza a sequência O Retorno da Múmia (The Mummy Returns, 2001) e produz A Múmia - Tumba do Imperador Dragão (The Mummy - Tomb of the Dragon Emperor, Rob Cohen, 2008), que traz Jet Li como vilão, além da prequel O Escorpião Rei (The Scorpion King, Chuck Russell, 2002), cujo personagem título é vivido por Dwayne Johnson. Os quatro filmes são repletos de efeitos especiais gerados por computação gráfica, e inspiram inclusive a criação de uma montanha russa, Revenge of the Mummy, no parque temático da Universal na Flórida (onde também existe, aliás, um show de rock estrelado pelos monstros clássicos do estúdio, Beetlejuice's Graveyard Review). O estúdio, satisfeito, permite que Stephen Sommers faça com Drácula, o Monstro de Frankenstein e o Lobisomem o mesmo que fez com a Múmia, o que resulta em Van Helsing - O Caçador de Monstros (Van Helsing, 2004). Os monstros são vividos por Richard Roxburgh, Shuler Hensley e Will Kemp, respectivamente, enquanto o herói é interpretado por Hugh Jackman. Mas desta vez o diretor não agrada como antes.

É assim que o estúdio decide voltar às origens com a nova refilmagem O Lobisomem (The Wolfman, Joe Johnston, 2010), um autêntico filme de terror no estilo clássico. Benicio del Toro vive o Lobisomem desta vez, com maquiagem do mestre Rick Baker, que por acaso já havia trabalhado em Um Lobisomem Americano em Londres (An American Werewolf in London, John Landis, 1981, outro clássico da Universal que, apesar do nome, não tem ligação com os demais filmes de lobisomens londrinos do estúdio).

E, se os planos da Universal derem certo, logo virão as refilmagens de O Monstro da Lagoa Negra, O Homem Invisível e A Noiva de Frankenstein, além de uma nova versão de Drácula num filme por enquanto denominado Dracula - Year Zero...


terça-feira, 16 de março de 2010

Portfolio, portfólio, portifólio ou porta-fólio? (Entenda por que portifólio é melhor)


Fugindo um pouco do assunto principal do blog, que é a cultura pop, esta semana resolvi falar de gramática.

Uma dúvida muito comum, mesmo entre as pessoas mais cultas, é a maneira correta de se escrever a palavra inglesa "portfolio" num texto em língua portuguesa. Me veio esta dúvida justamente porque estou trabalhando no meu próprio "portfolio", e é esse o motivo deste texto.

Quem defende o uso de "porta-fólio" é um publicitário chamado Luiz Gonçalves, que, em 2005, redigiu um texto muito bem escrito num site que é sempre o primeiro a aparecer quando alguém faz uma busca no Google procurando solucionar essa dúvida. Ele aconselha a não usar "portifólio" porque alguns dicionários já se adiantaram registrando "porta-fólio" como a adaptação natural do termo para a nossa língua.

Devido a isso, várias pessoas começaram a repetir em outros sites o que ele escreveu. Mas, para ser sincero, acho que o texto dele acabou sendo um desserviço ao esclarecimento da dúvida, já que o termo "porta-fólio", embora esteja registrado nesses dicionários por ser "o mais natural na latinização moderna da palavra", é muito estranho aos nossos ouvidos já tão acostumados a ouvir a palavra em inglês. Dá a impressão de estar errado e, portanto, eu diria que nunca vai pegar!

Prova disso é que mesmo os que lêem o texto do publicitário Luiz Gonçalves dificilmente usam "porta-fólio", por medo de alguém achar que estão escrevendo errado...

Sou muito mais a opinião do professor Cláudio Moreno, que também falou sobre o assunto num site não tão visitado. Segundo ele, o termo "portfolio" ainda não tem um equivalente oficial em português, mas, quando for aportuguesado, provavelmente o resultado será "portifólio".

Na minha opinião de bacharel em Letras, como o termo em inglês já se tornou largamente utilizado por aqui muito antes de alguém ter pensado em adaptá-lo para o português, o mais natural para nós seria, sim, o aportuguesamento do inglês "portfolio" para "portifólio", que estaria correto de acordo com as normas da língua portuguesa. O latim não tem nada a ver com o uso real desse termo em nossas terras. Se o usamos, é por influência do inglês, e não por sugestão de uma língua morta.

"Portfólio", com acento e sem o "i", não deveria nem ser cogitado, já que não obedece nem as normas do português, nem do inglês, apesar de até já ter aparecido equivocadamente num dicionário, assim como "porta-fólio" (nem sei como isso pôde acontecer, já que "portfólio" está obviamente errado).

Eu aconselharia todo mundo a usar "portifólio" para que o termo seja logo popularizado e passe a aparecer nos dicionários. Afinal, quem manda na língua é o povo, e não o dicionário. Em neologismos, o que vale é o que é falado ou publicado em jornais, literatura e revistas, desde que não esteja em desacordo com as normas da língua.

Não adianta o dicionário querer inventar uma palavra que ninguém nunca usou!

domingo, 7 de março de 2010

Avatar e a Revolução 3D




Muito tempo depois da estréia, finalmente fui ver Avatar. Confesso que no começo estava até achando meio chato, mas quando começaram a aparecer os na'vi me empolguei!

Digamos que seja uma inversão dos filmes de invasão extraterrestre. Em vez de sermos invadidos, neste filme somos nós os invasores.

Este tema não é novo, na verdade. O livro As Crônicas Marcianas de Ray Bradbury trata exatamente disso, usando inclusive a mesma analogia com a luta dos índios americanos contra seus dominadores.

Por um lado, é justo comparar Avatar com Dança com Lobos, Pocahontas, O Último Samurai e qualquer outro filme sobre um opressor que, em contato com o povo oprimido, passa a apoiá-lo. É uma comparação óbvia.

Por outro lado, não é justo dizer que é uma cópia de algum desses filmes em específico, já que nenhum desses filmes foi tão original assim ao abordar o tema. Avatar é apenas mais uma das muitas versões já existentes de um tema batido.

E, de fato, o que menos importa em Avatar é a história. Tudo está a serviço dos revolucionários efeitos especiais. Dá para ver claramente que a idéia básica do filme era criar um mundo totalmente novo em CG, com seu povo, animais e vegetação, da maneira mais realista possível, e tudo mais no filme foi sendo desenvolvido a partir dessa idéia.

Acho que escolher a premissa ambientalista acabou sendo o caminho mais seguro a seguir na criação do roteiro. Poderiam ter desenvolvido personagens e situações mais interessantes em vez de apenas trabalhar em cima de clichês, mas, no todo, é um bom filme.

Fiz questão de ver no Imax que existe aqui em São Paulo, mesmo sabendo que este é o que os americanos chamam de "fake Imax", com uma tela não tão grande quanto a dos Imax de verdade (o que mereceria até um boicote), e tive de comprar o ingresso adiantado para a semana seguinte, tamanha a procura...

E, até o momento, sem dúvida alguma foi o espetáculo 3D que melhor conseguiu me passar o efeito de imersão com o uso de óculos 3D! Realmente dá para se sentir dentro daquele mundo!

Com tamanha revolução tecnológica, pode-se até falar mal de Avatar, mas é inegável a importância do filme para a história do cinema.

PS: Os óculos 3D do Imax do Shopping Bourbon são até engraçados de tão grandes! Engraçados e pesados...


domingo, 28 de fevereiro de 2010

Depois da Disney



Agora já fazem seis meses que voltei do meu intercâmbio... Um semestre! Nesta mesma data há exatamente um ano eu estava visitando pela primeira vez o Blizzard Beach, um dos dois waterparks da Disney, num dia de folga. Já estava há mais de um mês trabalhando como cast member na Disney e estudando na UCF - University of Central Florida. E ainda parece que foi ontem...

Foram sete meses mergulhado na cultura americana, fazendo compras no Walmart (que lá REALMENTE vende barato), comendo fast food por um dólar, frozen food por menos de um dólar ou me esbaldando nos vários all you can eat, e, claro, conhecendo cada detalhe de todos os parques da Disney... Magic Kingdom, Epcot, Hollywood Studios e Animal Kingdom, mais os waterparks Blizzard Beach e Typhoon Lagoon, e até o Downtown Disney, que é mais um centro de compras cheio de lojas do que um parque, mas é onde ficam o Disney Quest (uma espécie de arcade gigante, que acabei não conhecendo), o Cirque du Soleil (esse eu conheci, belo show), o AMC Movie Theather (onde assisti alguns dos lançamentos antes de chegarem aos cinemas brasileiros) e a House of Blues (a balada onde cast members entravam de graça aos domingos).

Adorava as attractions dos parques (especialmente a roller coaster Expedition Everest no Animal Kingdom), e sempre me emocionava assistindo às parades e aos shows de fireworks (o Wishes em frente ao castelo da Cinderela, o IllumiNations no lago do Epcot e o Fantasmic no teatro do Hollywood Studios)... Mas confesso que gostei mais ainda quando conheci os parques concorrentes da Disney! Na International Drive ficam os belíssimos parques da Universal, cuja ambientação é toda inspirada em cenários do cinema e dos quadrinhos (com as attractions do Homem-Aranha, Hulk, Popeye, Jurassic Park, Shrek, A Múmia, Os Simpsons, Homens de Preto, E.T. e Exterminador do Futuro, pra falar só nas mais importantes) e também o Sea World (onde conheci a famosa baleia Shamu e as melhores roller coasters de Orlando). Muito legal!!!

Ainda fui algumas vezes a Tampa (onde ficam as melhores roller coasters da Flórida, num parque chamado Busch Gardens) e uma vez a Miami (mas aí tive muito azar, porque justo nesse dia choveu tanto que inundou as ruas, e tenho fotos para provar)!

O sétimo mês foi de férias (não-remuneradas, infelizmente), o chamado grace period, e, enquanto muitos colegas voltaram logo ao Brasil, eu fiz questão de ficar até o último dia permitido pelo meu visto (e ainda um dia a mais, pois perdi o avião e tive de pegar o do dia seguinte)! Passei duas semanas em Nova York, onde visitei praticamente tudo (Empire State, Rockefeller Center, Edifício Chrysler, Estátua da Liberdade, Central Park, MoMA, Metropolitan, American Museum of Natural History, Guggenheim, Radio City Music Hall, Lincoln Center, Madison Square Garden, a ONU e até os bastidores da NBC)... Virei cliente do Burger King da Times Square! Não pude andar por Washington, nem por Nova Jersey, mas passei por essas cidades de ônibus.

Muita coisa deu errado, não só na Flórida, mas em Nova York também... Me perdi várias vezes no metrô... Roubaram minha câmera e meu passaporte e eu tive de perder tempo e dinheiro para substituí-los (quem mandou eu me hospedar num hostel fuleiro no Harlem para economizar?)... Perdi a chance de ver o musical Wicked (que eu queria MUITO ver) na Broadway, porque os ingressos estavam esgotados... Perdi a chance de viajar num cruzeiro da Disney, porque só percebi o quanto seria legal quando já era tarde... Perdi a chance de fazer boas amizades entre os estrangeiros porque me distraía muito brincando nos parques e fazendo turismo e só comecei a entender direito tudo o que acontecia ao meu redor quando já era tarde... Perdi a chance de conhecer a Califórnia, o Six Flags (que é o parque temático da Warner) e a San Diego Comic-Con (imperdoável, deveria ter ido para lá em vez de ir a Miami)... Isso sem mencionar o Aquatica e o Wet & Wild, os dois maiores waterparks de Orlando, que eu poderia perfeitamente ter arranjado um tempinho para visitar (depois de mais de um semestre vivendo na cidade, acho que era minha obrigação ter conhecido TUDO dos parques, pelo menos!)...

Mas, ainda assim, de todo mundo que fez esse programa, eu devo ter sido quem mais aproveitou o intercâmbio, porque eu realmente me preocupava em fazer tudo! Além de ter me tornado de fato fluente em inglês, posso dizer que conheci toda a geografia de Orlando e de Nova York. Isso mudou inclusive a maneira como vejo certos filmes, por exemplo. Outro dia mesmo, vendo a Biblioteca Municipal de Nova York numa cena do Homem-Aranha, minha impressão foi totalmente diferente da que eu tive das outras vezes em que vi o filme. Antes, esse cenário sempre passava batido, mas, desta vez, logo me veio à cabeça a imagem do lugar e me lembrei que algumas ruas adiante fica a Central Station, o Edifício Chrysler e, depois, a ONU... Agora sei todo o percurso que os personagens fazem para chegar a cada lugar!

Confesso que a volta a São Paulo foi um choque muito maior do que a chegada a Orlando (que não foi choque nenhum, na verdade). Para começar, foi só eu chegar para sofrer uma crise prolongada de renite alérgica! Pior ainda, sei que é comum sentir solidão quando se passa tanto tempo longe de casa, e de fato eu senti muito isso durante o intercâmbio, mas de volta a São Paulo a sensação que eu tinha era de que a minha casa era em Orlando, e não aqui! Sentia muita falta de tudo que eu tinha lá... Até mesmo de coisas pequenas, como as batatas Pringles e os biscoitos Oreo que eu não comprei na última semana porque era proibido trazer comida na bagagem do avião. É verdade que aqui também vendem essas coisas, mas quem disse que eu pago preço de produto importado?

Fiquei tão perdido que acabei deixando passar dois shows muito legais que aconteceram aqui mesmo em São Paulo, o Video Games Live no HSBC Brasil e o Blue Man Group no Credicard Hall (sendo que o Blue Man Group era uma das coisas que eu tinha me arrependido de não ter visto em Orlando)...

O que começou a me animar foram os vários festivais de cinema que aconteceram aqui na cidade no final do ano. Perdi o Anima Mundi em julho porque ainda estava no intercâmbio, mas pude ir quase todos os dias ao Festival de Curtas de São Paulo em agosto, à Mostra Internacional de Cinema de São Paulo em outubro e até ao Festival Curta Fantástico em novembro. Vi dezenas de filmes, e tudo de graça! Um dos mais interessantes foi Colin, no Festival Curta Fantástico, um filme de zumbis narrado do ponto de vista de um zumbi, celebrado por ter sido produzido com apenas 72 dólares. Pude até conversar com o diretor, o americano Marc Price, muito simpático, e o festival ainda teve a deslumbrante presença da Liz Vamp, a "filha do Zé do Caixão", como hostess.

Também arranjei tempo para me atualizar em relação aos meus seriados favoritos (especialmente Lost e Fringe), já que durante o intercâmbio eu quase não vi TV... E, claro, participei do Zombie Walk, que em 2009 mudou da Avenida Paulista para o centro de São Paulo. Não foi tão legal quanto em 2008, mas ainda foi divertido andar pela cidade como zumbi!

E, mais importante do que todas essas coisas, finalmente comecei a retomar os projetos que eu tinha antes do intercâmbio. No início foi complicado, porque, depois de tanto tempo sem mexer no 3D Studio Max, muita coisa do que eu tinha aprendido a fazer em 3D eu tinha esquecido... Mas fui revendo minhas anotações, as apostilas e o help do programa, e, felizmente, logo me lembrei de tudo! Ao mesmo tempo, coloquei no ar novamente o antigo site onde eu costumava divulgar minhas histórias em quadrinhos (o http://www.virtuamix.com), criei um twitter (o http://twitter.com/criaturapop) e este blog novo...

Só que até interrompi as postagens quando soube de um concurso de curtas-metragens cujo prazo de inscrição era até este mês de fevereiro. Achei que daria tempo de fazer um curta em animação não apenas para o meu portifólio, mas também para inscrever no concurso, e aproveitei para me empenhar mais ainda em relembrar e praticar todos os programas que eu costumava usar para os meus curtas. Usei muito o 3D Studio Max, o Photoshop, o Premiere e até o Combustion. Resolvi fazer um curta que juntasse animação 3D e live action (eu mesmo entrei como ator), para praticar o uso de efeitos especiais.

Por eu estar ainda sem prática, tive até medo de não dar tempo, mas consegui terminar o curta bem a tempo de participar do concurso! Agora estou de volta ao blog e ao twitter, estou com um projeto de dar um novo visual ao meu site http://www.virtuamix.com e recebi até uma proposta de trabalhar numa série de projetos remunerados, o que é ótimo (assim ganho algum dinheiro enquanto melhoro meu portifólio).

Não acho que este ano a Terra vá se comunicar com alguma forma de vida extra-terrestre como em 2010 - O Ano Em Que Faremos Contato (aliás, preciso rever este filme), mas estou com um palpite de que 2010 será um ano decisivo para minha vida (favoravelmente, eu espero)!


segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Meu Blog Novo, de Novo


Esta semana fazem quatro meses que voltei do meu intercâmbio na Disney. Desde antes do intercâmbio eu vinha planejando criar um novo blog para postar meus textos, e também retomar meu antigo site http://www.virtuamix.com, onde eu costumava divulgar minhas histórias em quadrinhos e meu irmão disponibilizava para download os games que ele criava. Por um descuido, deixamos que o site saísse do ar, e só recentemente descobrimos que o domínio estava disponível de novo. Pois bem, o http://www.virtuamix.com está no ar outra vez desde a semana passada, e aqui está o novo blog!

Vasculhando a Internet esses dias, me lembrei de que já tive seis blogs antes deste, e descobri que alguns deles estão no ar até hoje... O primeiro foi apenas um teste, e o segundo até foi um pouco divulgado, mas o provedor em que estavam hospedados não funcionava bem e hoje não há mais nem sinal de ambos. O terceiro, http://rubensnauta.zip.net, foi criado em 2004 mas no mesmo ano foi substituído pelo http://virtuanauta.zip.net, apenas porque eu resolvi mudar de nick. Depois de um tempo impliquei com esse nick também, e, em 2006, criei o http://criaturapop.zip.net, cujas atualizações eu interrompi porque comecei meu curso na Cadritech e não queria que nada atrapalhasse meus estudos de animação 3D (e realmente precisei de tempo, já que tive de fazer dois curtas sozinho)...

O quinto blog, http://diariodeumcastmember.zip.net, eu criei durante o meu intercâmbio na Disney para falar sobre a vida que eu tinha em Orlando, trabalhando para o maior complexo de entretenimento do mundo e estudando Turismo na University of Central Florida. Comecei fazendo um relato bem detalhado de cada um dos dias, mas parei de escrever no meio do programa porque queria aproveitar ao máximo o meu tempo para conhecer tudo em Orlando.

Ainda tenho anotações que fiz para me lembrar do que aconteceu em cada um dos dias que se seguiram, e pode ser que eu ainda retome aquele blog para que não fique faltando o relato de nenhum dia... Mas, no momento, estou mais interessado em retomar os projetos que eu tinha antes do intercâmbio, e este novo blog é parte disto, assim como o twitter que, claro, não poderia faltar, http://twitter.com/criaturapop.

Bem-Vindos ao Estranho Mundo de Criatura Pop!