domingo, 28 de fevereiro de 2010

Depois da Disney



Agora já fazem seis meses que voltei do meu intercâmbio... Um semestre! Nesta mesma data há exatamente um ano eu estava visitando pela primeira vez o Blizzard Beach, um dos dois waterparks da Disney, num dia de folga. Já estava há mais de um mês trabalhando como cast member na Disney e estudando na UCF - University of Central Florida. E ainda parece que foi ontem...

Foram sete meses mergulhado na cultura americana, fazendo compras no Walmart (que lá REALMENTE vende barato), comendo fast food por um dólar, frozen food por menos de um dólar ou me esbaldando nos vários all you can eat, e, claro, conhecendo cada detalhe de todos os parques da Disney... Magic Kingdom, Epcot, Hollywood Studios e Animal Kingdom, mais os waterparks Blizzard Beach e Typhoon Lagoon, e até o Downtown Disney, que é mais um centro de compras cheio de lojas do que um parque, mas é onde ficam o Disney Quest (uma espécie de arcade gigante, que acabei não conhecendo), o Cirque du Soleil (esse eu conheci, belo show), o AMC Movie Theather (onde assisti alguns dos lançamentos antes de chegarem aos cinemas brasileiros) e a House of Blues (a balada onde cast members entravam de graça aos domingos).

Adorava as attractions dos parques (especialmente a roller coaster Expedition Everest no Animal Kingdom), e sempre me emocionava assistindo às parades e aos shows de fireworks (o Wishes em frente ao castelo da Cinderela, o IllumiNations no lago do Epcot e o Fantasmic no teatro do Hollywood Studios)... Mas confesso que gostei mais ainda quando conheci os parques concorrentes da Disney! Na International Drive ficam os belíssimos parques da Universal, cuja ambientação é toda inspirada em cenários do cinema e dos quadrinhos (com as attractions do Homem-Aranha, Hulk, Popeye, Jurassic Park, Shrek, A Múmia, Os Simpsons, Homens de Preto, E.T. e Exterminador do Futuro, pra falar só nas mais importantes) e também o Sea World (onde conheci a famosa baleia Shamu e as melhores roller coasters de Orlando). Muito legal!!!

Ainda fui algumas vezes a Tampa (onde ficam as melhores roller coasters da Flórida, num parque chamado Busch Gardens) e uma vez a Miami (mas aí tive muito azar, porque justo nesse dia choveu tanto que inundou as ruas, e tenho fotos para provar)!

O sétimo mês foi de férias (não-remuneradas, infelizmente), o chamado grace period, e, enquanto muitos colegas voltaram logo ao Brasil, eu fiz questão de ficar até o último dia permitido pelo meu visto (e ainda um dia a mais, pois perdi o avião e tive de pegar o do dia seguinte)! Passei duas semanas em Nova York, onde visitei praticamente tudo (Empire State, Rockefeller Center, Edifício Chrysler, Estátua da Liberdade, Central Park, MoMA, Metropolitan, American Museum of Natural History, Guggenheim, Radio City Music Hall, Lincoln Center, Madison Square Garden, a ONU e até os bastidores da NBC)... Virei cliente do Burger King da Times Square! Não pude andar por Washington, nem por Nova Jersey, mas passei por essas cidades de ônibus.

Muita coisa deu errado, não só na Flórida, mas em Nova York também... Me perdi várias vezes no metrô... Roubaram minha câmera e meu passaporte e eu tive de perder tempo e dinheiro para substituí-los (quem mandou eu me hospedar num hostel fuleiro no Harlem para economizar?)... Perdi a chance de ver o musical Wicked (que eu queria MUITO ver) na Broadway, porque os ingressos estavam esgotados... Perdi a chance de viajar num cruzeiro da Disney, porque só percebi o quanto seria legal quando já era tarde... Perdi a chance de fazer boas amizades entre os estrangeiros porque me distraía muito brincando nos parques e fazendo turismo e só comecei a entender direito tudo o que acontecia ao meu redor quando já era tarde... Perdi a chance de conhecer a Califórnia, o Six Flags (que é o parque temático da Warner) e a San Diego Comic-Con (imperdoável, deveria ter ido para lá em vez de ir a Miami)... Isso sem mencionar o Aquatica e o Wet & Wild, os dois maiores waterparks de Orlando, que eu poderia perfeitamente ter arranjado um tempinho para visitar (depois de mais de um semestre vivendo na cidade, acho que era minha obrigação ter conhecido TUDO dos parques, pelo menos!)...

Mas, ainda assim, de todo mundo que fez esse programa, eu devo ter sido quem mais aproveitou o intercâmbio, porque eu realmente me preocupava em fazer tudo! Além de ter me tornado de fato fluente em inglês, posso dizer que conheci toda a geografia de Orlando e de Nova York. Isso mudou inclusive a maneira como vejo certos filmes, por exemplo. Outro dia mesmo, vendo a Biblioteca Municipal de Nova York numa cena do Homem-Aranha, minha impressão foi totalmente diferente da que eu tive das outras vezes em que vi o filme. Antes, esse cenário sempre passava batido, mas, desta vez, logo me veio à cabeça a imagem do lugar e me lembrei que algumas ruas adiante fica a Central Station, o Edifício Chrysler e, depois, a ONU... Agora sei todo o percurso que os personagens fazem para chegar a cada lugar!

Confesso que a volta a São Paulo foi um choque muito maior do que a chegada a Orlando (que não foi choque nenhum, na verdade). Para começar, foi só eu chegar para sofrer uma crise prolongada de renite alérgica! Pior ainda, sei que é comum sentir solidão quando se passa tanto tempo longe de casa, e de fato eu senti muito isso durante o intercâmbio, mas de volta a São Paulo a sensação que eu tinha era de que a minha casa era em Orlando, e não aqui! Sentia muita falta de tudo que eu tinha lá... Até mesmo de coisas pequenas, como as batatas Pringles e os biscoitos Oreo que eu não comprei na última semana porque era proibido trazer comida na bagagem do avião. É verdade que aqui também vendem essas coisas, mas quem disse que eu pago preço de produto importado?

Fiquei tão perdido que acabei deixando passar dois shows muito legais que aconteceram aqui mesmo em São Paulo, o Video Games Live no HSBC Brasil e o Blue Man Group no Credicard Hall (sendo que o Blue Man Group era uma das coisas que eu tinha me arrependido de não ter visto em Orlando)...

O que começou a me animar foram os vários festivais de cinema que aconteceram aqui na cidade no final do ano. Perdi o Anima Mundi em julho porque ainda estava no intercâmbio, mas pude ir quase todos os dias ao Festival de Curtas de São Paulo em agosto, à Mostra Internacional de Cinema de São Paulo em outubro e até ao Festival Curta Fantástico em novembro. Vi dezenas de filmes, e tudo de graça! Um dos mais interessantes foi Colin, no Festival Curta Fantástico, um filme de zumbis narrado do ponto de vista de um zumbi, celebrado por ter sido produzido com apenas 72 dólares. Pude até conversar com o diretor, o americano Marc Price, muito simpático, e o festival ainda teve a deslumbrante presença da Liz Vamp, a "filha do Zé do Caixão", como hostess.

Também arranjei tempo para me atualizar em relação aos meus seriados favoritos (especialmente Lost e Fringe), já que durante o intercâmbio eu quase não vi TV... E, claro, participei do Zombie Walk, que em 2009 mudou da Avenida Paulista para o centro de São Paulo. Não foi tão legal quanto em 2008, mas ainda foi divertido andar pela cidade como zumbi!

E, mais importante do que todas essas coisas, finalmente comecei a retomar os projetos que eu tinha antes do intercâmbio. No início foi complicado, porque, depois de tanto tempo sem mexer no 3D Studio Max, muita coisa do que eu tinha aprendido a fazer em 3D eu tinha esquecido... Mas fui revendo minhas anotações, as apostilas e o help do programa, e, felizmente, logo me lembrei de tudo! Ao mesmo tempo, coloquei no ar novamente o antigo site onde eu costumava divulgar minhas histórias em quadrinhos (o http://www.virtuamix.com), criei um twitter (o http://twitter.com/criaturapop) e este blog novo...

Só que até interrompi as postagens quando soube de um concurso de curtas-metragens cujo prazo de inscrição era até este mês de fevereiro. Achei que daria tempo de fazer um curta em animação não apenas para o meu portifólio, mas também para inscrever no concurso, e aproveitei para me empenhar mais ainda em relembrar e praticar todos os programas que eu costumava usar para os meus curtas. Usei muito o 3D Studio Max, o Photoshop, o Premiere e até o Combustion. Resolvi fazer um curta que juntasse animação 3D e live action (eu mesmo entrei como ator), para praticar o uso de efeitos especiais.

Por eu estar ainda sem prática, tive até medo de não dar tempo, mas consegui terminar o curta bem a tempo de participar do concurso! Agora estou de volta ao blog e ao twitter, estou com um projeto de dar um novo visual ao meu site http://www.virtuamix.com e recebi até uma proposta de trabalhar numa série de projetos remunerados, o que é ótimo (assim ganho algum dinheiro enquanto melhoro meu portifólio).

Não acho que este ano a Terra vá se comunicar com alguma forma de vida extra-terrestre como em 2010 - O Ano Em Que Faremos Contato (aliás, preciso rever este filme), mas estou com um palpite de que 2010 será um ano decisivo para minha vida (favoravelmente, eu espero)!


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